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Vender propriedade intelectual alheia – pode isso?!

UPDATE 1: Opinioes nos comentários mantidas. Perseguições, ofenças, ameaças e surtos psicóticos deletados.

UPDATE: material editado para evitar dores de cabeça, para que nos exemplos que mostrei não seja mais possível identificar onde e quem fez esse tipo de pratica, ainda que tenham sido posts públicos no Facebook. Também não estou afirmando que quem faz isso é um criminoso convicto e uma pessoa ruim, mas mantenho minha posição. É anti ético e é um crime vender produtos digitais sem autorização, devemos nos fortalecer para não cair nessa roubada por necessidade ou comodidade.

Segue o texto original com algumas notas.

Dizem que polemizar é ruim para a carreira. Eu acredito que a omissão é pior.

Há tempos que venho me sentindo muito incomodada pela cara de pau de certas pessoas que se dizem profissionais da fotografia. Em vários grupos do nosso meio, indivíduos aparecem anunciando e vendendo actions e outros produtos digitais que não lhes pertence. Você provavelmente faz parte de algum grupo desse e talvez nem saiba. Ou talvez saiba. Uma vez fui até colocada num grupo onde estavam fazendo uma vaquinha pra comprar um curso online. A desculpa era que o curso era em dólar e ficava muito caro em reais. Saí do grupo. Obviamente, fui chamada de chata, careta, caxias, e até de “nascida em berço de ouro”! (Hahahahaha! Um dia conto a história da minha mãe adolescente subindo ladeira com compras na mão e comigo no colo debaixo de tiroteio, ou de quando meu pai trabalhava tão longe, mas tão longe da civilização que tinha que viajar seis horas para LIGAR pra família). Mas, enfim, dane-se o que pensam de mim.

Falo com todas as letras: pra mim, vender propriedade intelectual digital é ROUBO. Equivale a furtar uma lente ou comprar equipamento roubado. Os fins não justificam os meios, por mais que se esteja passando por dificuldades financeiras. Usar software pirata? Não pode. Dar a senha do curso online pro amiguinho? Não pode. Nenhuma desculpa cola. A comunidade fotográfica é muito unida (falo sobre isso ali embaixo, no meu comentário em resposta ao post) e, em sua maior parte, honesta, mas de vez em quando aparece uma galera se fazendo de coitadinho. O penúltimo episódio de que tive conhecimento foi num grupo do facebook.

NOTA: Sim, eu sei que provavelmente estou dando ibope pros criminosos.

NOTA2: tirei o link do grupo porque interpretam que a crítica era ao grupo.

Tentei me calar sobre o assunto, mas fui vencida pela quantidade de posts deste gênero que apareceram.

Quando um colega tem seu equipamento roubado, nós todos compartilhamos o post avisando para ninguém comprar de ladrão. Mas, por um motivo que não sei explicar, essa mesma pessoa que sofreu o assalto aparece no grupo vendendo coisa roubada. Faça-me o favor! Não sou dona da verdade, mas fui educada com valores de ética e trabalho duro que não me permitem mais ficar calada diante esse absurdo.

O post foi este:

 

[  ]

Nota: tirei o print porque tinha a logo da vítima do roubo do equipamento. Tive o cuidado de não mostrar o nome dele, mas a logo passou batida.

 

Abaixo, minha resposta, que foi postada nos comentários do post pedindo as tais doações. Aguardo a sua nos comentários.

Beijos,
Dani

Vou polemizar. Antes de mais nada, sinto muito pelo que aconteceu com você. É algo trágico a que TODOS nós fotógrafos estamos sujeitos. O que me causa espanto é você pretender resolver sua situação praticando o mesmo crime do qual você foi vítima. Vender propriedade intelectual, seja digital ou não, é roubo. É como roubar equipamento e vender no mercado negro. Nós da comunidade fotográfica já nos juntamos inúmeras vezes para ajudar vitimas de roubos e doenças. Vide o caso do bebê Bento, ajudado por centenas de fotógrafos como Carla Durante, Lidiane Lopez e muitos outros que aderiram à campanha para ajudar a mamãe Camila Battistini. Teve o caso do filho da Mariana Bomtempo, cujo caso era gravíssimo e a Daniela Margotto formou uma legião de almas fotográficas caridosas que se juntaram para doar ensaios e levantar o dinheiro para que o menino fosse operado e cuidado no exterior. Teve o caso da Nina Estanislau, que teve seu material roubado. O mesmo aconteceu há pouco com a Danny Bittencourt e seus alunos em Porto Alegre que sofreram um assalto durante o workshop e os ladrões levaram todos os equipamentos. Neste caso foi feita uma vaquinha com ajuda da Amanda Delaporta Amanda Delaporta Newborn: https://www.vakinha.com.br/…/ajuda-aos-alunos…
Além destes exemplos, um dos mais recentes foi o caso da Taninha, que recebeu uma cadeira de rodas depois de a Flavia Vargas comecou uma campanha gigantesca para arrecadar dinheiro, com fotografos voluntários doando seu tempo, trabalho e dinheiro para oferecer palestras riquíssimas em conteúdo. Dentre os palestrantes estavam Leiliane Doval, Carolina Tardelli, Gisa Rizzo Fotógrafa, RomuloVidal e
muitos outros, além de fornecedores que doaram, assim como eu, propse fundos fotograficos para leilão. Teve também o Josué Ferreira que leiloou um ingresso para o seu evento click family. No último DiCarioca, arrecadamos e doamos toda a renda das entradas para uma instituição de caridade que atende mães adolescentes gestantes e seus bebês. Além disso, o Newborn Carioca irá leiloar um ingresso para o congresso para ajudar outra instituição. Enfim, cada um sabe onde seu calo aperta, mas nenhuma tragédia é desculpa suficiente para abandonar toda sua moral e ética e cometer um crime para sanar outro. Você tem muitas alternativas e se precisar de ajuda, estarei à disposição para qualquer coisa que precise, exceto promover pirataria de cursos e materiais digitais que, na esfera da ética, equivale a roubo. Os fins nunca justificação os meios. Boa sorte para recuperar o que perdeu, mas espero que encontre uma maneira de fazê-lo com princípios morais.

 

Update: fui dar um print do post que comentei, e eis que me deparo com este outro post fofo da caridade criminosa:

 

Nota: print retirado porque a foto da pessoa que se expôs no grupo não que ser exposta aqui.[  ]

Não demorou para encontrar o fornecedor original que criou as asas, que estão à venda na etsy:

Sinceramente, eu espero que as dezenas de pessoas que comentaram nestes posts interessadas em “ajudar” o colega não percebam que estão colaborando com o crime.

 

 

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(6) comments

Marcia 11 de julho de 2017

Passada. Obrigada pela informação.

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Mari Vergal 11 de julho de 2017

Concordo em número, genero e grau com você, Dani! É um absurdo!! Aliás, você escreve muito bem! Infelizmente, o mal do Brasil são os brasileiros! Torcendo por dias melhores!

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Fabiana Guedes 11 de julho de 2017

Dani, infelizmente, imagino que 80% das pessoas que dizem querer ajudar, não farão a mesma reflexão. Algumas passarão batido por simples impulso, outras até podem pensar que ‘há algo de irregular’ nisso, mas não se importarão. É uma pena mesmo, porque não é fácil chegar em determinados estágios de trabalho e depois ver que coisas criativas, criadas por muito esforço pelo profissional, foram pirateadas. O Brasil é o país do ‘jeitinho’ e muitas pessoas que gritam contra a corrupção em Redes Sociais, são as primeiras que estarão comprando o material dessa menina. Muito chato, muito triste. Fez bem em fazer um desabafo público e aberto. Fará muitas pessoas a pararem para pensar sobre isso.

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Shana Reis 12 de julho de 2017

Concordo plenamente com você, com a sua resposta muito bem colocada.
Roubo é roubo. Temos que nos desprender dessa “cultura” do “dar um jeitinho”, de conseguir as coisas mais fáceis. É imoral.
Esse comportamento está diretamente relacionado a essa imundice toda que tem vindo à tona na política desse país. Isso é reflexo e resultado do comportamento imoral que lidamos todos os dias em diversas situações, não é?

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Gracekellen 12 de julho de 2017

Quando criei esse grupo o fiz com o intuito de ajudar as pessoas que estavam começando, compartilhar conhecimento de coisas que nos ajudariam a crescer e claro, além da troca de experiências, tem ainda o fato de conseguir descontos com alguns fornecedores, visto que eles dando um desconto para o grupo, eles ganhariam no montante e nós ganharíamos com o desconto.
Agora o fato que me entristece é ver pessoas que nunca sequer vieram aqui no grupo pra ajudar ou dar uma dica pra quem está começando fazer uma matéria em um portal de fotografia onde eu também faço parte falando como se rolasse pirataria aqui no grupo.
Sempre respeitei o seu trabalho e tenho inclusive produtos seus, mas achei muito chato essa questão. Estamos em um grupo, e claro, sabemos de direito que toda e qualquer publicação feita é de responsabilidade do autor da mesma. Digo isso com propriedade, pois também sou administradora de um grupo maior do que este e quando uma moça comprou uma câmera e não recebeu o produto quis responsabilizar aos moderadores do mesmo e levou uma ação na justiça.
Agora a pessoa nunca veio aqui pra falar nada a respeito, dar um apoio amigo pra quem tava começando, ajudar a editar uma foto e publica uma nota como se o grupo fosse mestre no assunto.
O fim não justifica os meios, mas uma pergunta: quando você começou todos os seus softwares eram originais? o windows era original? algum momento já parou pra pensar como foi seu começo? você sempre foi certa? mas enfim, não vou te atrelar ao assunto visto que é algo pessoal, eu também não concordo, mas deixei e está lá, inclusive para todos verem sua resposta como você colocou no artigo e chamou a todos para visitarem, agora o mesmo convite deixo pra ti pra voltar mais vezes e ajudar com o grupo de forma construtiva também e não só deixar ambíguo dando a entender que estamos em um meio que apoia a pirataria.

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    Daniela Bertolucci 13 de julho de 2017

    Obrigada pelo comentário, Grace! O seu grupo está longe de ser o único onde essas coisas acontecem, infelizmente. Foi apenas o exemplo do momento, e o grupo não foi criticado, pelo contrário. Para responder seus questionamentos, não, nunca tive nenhum software pirata, muito menos Windows! Putz, mentira! Já tive Napster na adolescência, confesso! Rsrs… Mas eu poderia ser uma santa que não seria dona da verdade, como já falei anteriormente. Uma das coisas que me preocupam é a mentalidade do “quem nunca?” Isso é bem cultural: o que é digital não tem dono.
    Outra coisa que entendi pelo seu comentário, quem nunca contribuiu não tem direito de criticar, é isso? Pergunto para responder de forma correta. Mesmo que eu nunca fizesse nada para ajudar ninguém, eu ainda teria todo o direito – e digo mais, o dever! – de denunciar qualquer ação criminosa, em qualquer grupo, seja online ou no mundo físico. Nota: como você já me conhece bastante, deve saber que contribuo muitíssimo com a comunidade fotográfica. Dei vários exemplos meus e de outros profissionais. Às vezes me parece que estão lendo as coisas pela metade. Plagiando sua expressão, “a pessoa” está bem por fora de como e O QUANTO eu ajudo os colegas, iniciantes ou não. Mas isso é totalmente irrelevante. Eu poderia nunca ter parado para ajudar ninguém e ainda assim criticar crimes digitais.
    Também agradeço seu convite para participar do grupo, e o farei quando tiver novamente a oportunidade de contribuir de forma que acredite vá acrescentar alguma coisa aos colegas, como foi o caso desta vez.
    Sobre estar num meio que apoia a pirataria: estamos! Mas estes são minoria, eu acredito!
    Desejo todo sucesso no seu grupo.

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